sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Somos crianças levadas pela mão de ditadores

Lula e o PT, fiéis seguidores da cartilha totalitária de Lênin e Hitler, sabem que o bode expiatório ideal é justamente o inocente (como mostra o antropólogo René Girard) e o PSDB se encaixa perfeitamente nesse papel.
Sem querer fomentar o desânimo em todos aqueles que acreditam na democracia e nas instituições e, por isso, votam em José Serra, acho que a eleição está perdida. Por mais que os institutos de pesquisa errem, o erro deles não será tão grande a ponto de fazer com o que o resultado seja favorável a Serra. Um dos motivos dos erros gritantes do primeiro turno era a votação de Marina, que não cresceu nos últimos dias, como se fala tanto, mas muito antes, só que que era difícil detectar esse crescimento em pesquisas por cotas, feitas com um indivíduo de cada domicílio, segundo extratos ideais da população. No segundo turno só há dois candidatos em disputa e a possibilidade de erro nas pesquisas se reduz.
 
Creio que essa provável derrota de Serra se deve, em parte, à não disposição do PSDB de partir para a guerra desde o comecinho do segundo turno, quando a reação anti-Dilma, puxada por católicos e evangélicos, estava efervescente. Como sempre, os tucanos se enganaram. Achavam que não entrando na baixaria deixariam o PT em maus lençóis diante do eleitorado e ganhariam a eleição muito menos por seus próprios acertos do que pelos erros do adversário. Mais uma vez, infelizmente, deram com os burros n'água.
 
Lula e o PT, fiéis seguidores da cartilha totalitária de Lênin e Hitler, sabem que o bode expiatório ideal é justamente o inocente (como mostra o antropólogo René Girard) e o PSDB se encaixa perfeitamente nesse papel. Quanto mais os tucanos se recusam a ferir a ética, mais os petistas os acusam de todos os crimes. E conseguem fazer isso com perfeição, convencendo, em primeiro lugar, praticamente todos os formadores de opinião (seus eternos lacaios nas universidades e na imprensa) e, em seguida, a maioria esmagadora da população.
 
Se Serra tivesse feito a incisiva defesa da liberdade de expressão na entrevista ao Jornal Nacional, condenando veementemente a perseguição religiosa que o PT impôs aos católicos (com a ajuda de nossa lamentável Justiça), seria um pouco mais difícil para o presidente Lula, que se comporta como líder de gangue juvenil, transformá-lo em algoz de si mesmo no episódio das agressões no Rio. E se essa reação de Serra tivesse começado antes, já no primeiro debate do segundo turno, seria mais difícil ainda.
 
Espero que o PSDB aprenda não só com essas eleições, mas com a história. A social-democracia sempre serviu de escada para a esquerda mais radical, sem escrúpulos, sanguinária. O exemplo mais antigo é a ascensão de Lênin (inspirador de Hitler) e um dos mais recentes o assassinato de Aldo Moro na Itália. O PSDB tem de se dar conta de que, no governo Dilma, se não partir desde o início para uma oposição firme e radical em defesa dos princípios democráticos, estará condenando o país a transformar-se não em México, como crêem alguns, mas na Venezuela de Chávez.
 
É uma imensa tolice pensar que o Brasil é diferente, que aqui as instituições funcionam, que um Chávez aqui não teria vez. As ditaduras totalitárias (única tradução possível do marxismo no horizonte da história, ao contrário do que pensa FHC) sempre ocorreram em países onde uma revolução parecia impossível, como na atrasadíssima Rússia dos czares, na cultíssima Alemanha dos filósofos ou na carnavalesca Cuba dos canaviais.
 
O que no Brasil se imagina ser "instituições" não passa, na verdade, de "interesses". Este é um país sem princípios e que não chega a ser pragmático — pois o pragmatismo também pode ser (e é) um princípio, como bem mostra a história da Inglaterra. Somos crianças levadas pela mão de ditadores. Sempre foi assim e não vejo no horizonte perspectiva alguma de que possa ser diferente.

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