segunda-feira, 19 de março de 2012

Preso o acusado da morte de juiz de Presidente Prudente

Quinta-feira, 15/03/12 - 17:49.

Atualizado às 11h40 de 16/03

Policiais da 2ª Companhia do 21º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) prenderam, na manhã desta quinta-feira (15), J.C.R.L., de 46 anos, acusado de envolvimento na morte do juiz corregedor de Presidente Prudente, Antonio José Machado Dias, em 2003, e de dois roubos.

O suspeito, abordado na rua Ascanio, na Vila Diva, zona leste da capital, cumpria pena em regime semiaberto após ter sido condenado pelo assassinato do juiz. Ele estava foragido desde setembro do ano passado. A prisão foi registrada na 5ª Central de Flagrantes (Leste).

Assessoria de Imprensa da Secretaria da Segurança Pública

domingo, 11 de março de 2012

Escolas públicas poderão distribuir pílulas do dia seguinte

É o que se depreende da declaração de uma autoridade federal em reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, neste domingo (11/03/2012).
O Ministério da Saúde pretende facilitar o acesso à pílula do dia seguinte no SUS e, provavelmente, nas próprias escolas da rede pública – é o que mostra reportagem da Folha de S. Paulo publicada neste domingo (11/03/2012). Segundo o ministério, o precário acesso à pílula não é por falta do medicamento, uma vez que o Ministério da Saúde já disponibiliza, por ano, 770 mil cartelas, gratuitamente, nos postos de saúde. E nas farmácias privadas são vendidas anualmente mais de 5 milhões de cartelas. Ocorre que grande parte dos postos de saúde impõe algumas restrições para a distribuição da pílula, entre elas, a receita médica. E no caso de adolescentes, costuma-se exigir a presença dos pais ou responsável.
Segundo o secretário nacional de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães, “o ministério vai usar a estrutura do programa ‘Saúde na Escola’ para ampliar a divulgação dos métodos anticoncepcionais entre os adolescentes”. Ou seja, uma vez que esse programa não se limita a fornecer apenas educação sexual teórica e já distribui camisinhas nas escolas, é provável que irá, a partir de agora, distribuir também a pílula de emergência para as alunas.
Diz ainda a reportagem:  “Ele [o secretário de Atenção à Saúde] reconhece a falta de campanhas educativas maciças sobre contracepção, mas diz que elas vão acontecer em breve. "Isso não tinha entrado na agenda política, mas é fundamental para prevenir gravidez indesejada."
Reparem no absurdo dito pelo secretário e corroborado pela reportagem. Há mais de duas décadas, em função da Aids, o governo não faz outra coisa senão apresentar a camisinha como a solução de todos os problemas da humanidade, em campanhas que vão das redes de TV ao transporte coletivo das cidades de médio e grande porte. O que é isso senão campanha de massa contra a concepção?
Se a distribuição maciça de camisinha não reduziu satisfatoriamente os casos de Aids nem de gravidez indesejada, por que agora surtiria efeito? É só mais uma forma de gastar dinheiro público à toa. Ao se distribuir em massa a pílula do dia seguinte nos postos de saúde, mesmo quem pode comprá-la na farmácia vai optar por recebê-la de graça do Estado – à custa de todos os contribuintes que nada têm a ver com as irresponsabilidades de cada um.

O preço público da irresponsabilidade

Matéria da Folha denuncia que adolescentes têm dificuldade para conseguir a pílula do dia seguinte nos postos de saúde. E se tivessem facilidade? O país iria trabalhar para comprar e distribuir pílula e camisinha, o que é um contra-senso.

Acesso público à pílula de emergência permanece precário

Além de escassez, falta médico para assinar a receita e postos chegam a exigir presença dos pais para menor. Compra do remédio é feita sem prescrição; a cartela com dois comprimidos custa entre R$ 9 e R$ 23

Reportagem de CLÁUDIA COLLUCCI

Quase uma década após o início da distribuição da pílula do dia seguinte no SUS, o acesso a ela ainda é precário. Além da escassez, o principal entrave é que as unidades de saúde exigem receita para dar o contraceptivo.

Muitas vezes, porém, não há médico para assinar a prescrição no momento em que a mulher procura o posto de saúde.

Uma consulta com o ginecologista chega a demorar dois meses. A pílula só previne a gravidez se ingerida até 72 horas após o ato sexual.

Nas farmácias, as mulheres compram o remédio sem receita, por preços que variam entre R$ 9 e R$ 23 -cartela com dois comprimidos. A droga tem tarja vermelha, o que exige prescrição.

As adolescentes sofrem ainda mais dificuldade para obter a pílula. Embora diretrizes do Ministério da Saúde garantam o direito à privacidade e ao sigilo de suas informações, muitos postos exigem a presença de pais ou responsáveis para liberar o contraceptivo de emergência.

Levantamento feito em 2008 pelo Instituto da Saúde, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, revelou que mais de 50% de 119 municípios paulistas pesquisados restringiam a oferta da pílula para adolescentes. São os últimos dados disponíveis.

"É uma hipocrisia e um total contrassenso", diz a pesquisadora Regina Figueiredo, do Instituto da Saúde.

"Se a adolescente chega grávida, aos 15 anos, ela será atendida no posto porque ganha um status social de adulta. Se chega pedindo contraceptivo, não consegue", diz.

Embora a taxa de gravidez na adolescência tenha caído na última década, 23% dos partos feitos no país ainda são de jovens entre 15 e 19 anos. Estima-se que um quarto dos abortos provocados estejam nessa faixa etária.

DESIGUALDADE

Segundo Margareth Arrilha, diretora executiva da CCR (Comissão de Cidadania e Reprodução), a exigência da receita amplia as desigualdades no acesso e no uso do contraceptivo de emergência. "Só as mulheres pobres sofrem com isso."

"Não tem sentido manter a exigência. Estamos penalizando mulheres que são as mais vulneráveis a se submeterem a um aborto inseguro", afirma o ginecologista Nilson Roberto de Melo, diretor da Febrasgo (federação das associações de ginecologia).

O aborto provocado é hoje a terceira causa de mortalidade materna no país.

Em serviços que atendem a vítimas de violência sexual, a pílula do dia seguinte é oferecida desde 1999 e já reduziu pela metade a necessidade de aborto legal. Em postos de saúde, ela só começou a ser distribuída em 2005.

O obstetra Aníbal Faúndes, pesquisador da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), garante que a pílula não traz riscos à saúde da mulher. "Qualquer entrave vai contra o efeito esperado, que é prevenir gravidez indesejada", diz ele.

Segundo especialistas, o acesso à pílula de emergência é prejudicado por problema na distribuição do medicamento e pela falta de informação de funcionários e das próprias mulheres em relação aos seus direitos.

(Reportagem da Folha de S. Paulo, Caderno Cotidiano, domingo, 11 de março de 2012)

Polícia do Rio investiga pastor-celebridade por denúncias de estupro, tortura e ameaça de morte

Com bom trânsito entre políticos, artistas e ONGs, o pastor Marcos é agora acusado de abuso sexual, tortura de crianças e conivência com a bandidagem que ele diz “curar”, conforme revela reportagem de VEJA desta semana

Na última década, o pastor carioca Marcos Pereira, 55 anos, conquistou respeito em rodas que mesclam políticos, desembargadores, artistas e uma vasta turma egressa de ONGs. Entre os que já o viram em cima de um púlpito gesticulando com um de seus Rolex em punho e desejando “rajadas de glória” à plateia, estão o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), a produtora Marlene Mattos e o ex-pagodeiro Waguinho, que, mesmo sem se eleger, alcançou 1,3 milhão de votos na última disputa para o Senado tendo o pastor Marcos como cabo eleitoral. Alçado à condição de religioso-celebridade, Marcos extrapolou, e muito, as fronteiras de sua igreja, a pentecostal Assembleia de Deus dos Últimos Dias, com sede no Rio e filiais no Paraná e no Maranhão. Desde 2004 — depois de pôr fim a uma sangrenta rebelião em um presídio do Rio, a pedido do então secretário de Segurança, Anthony Garotinho —, ele passou a ser visto como o mais habilidoso apaziguador de conflitos liderados pela bandidagem, com um currículo que, segundo o próprio, inclui o resgate de centenas do tráfico. Tem feito esse trabalho no Brasil inteiro e já foi várias vezes aos Estados Unidos, onde quer erguer um templo, para falar da experiência. Pois por trás dessa fachada, ao que tudo indica, se esconde um enredo de atrocidades que não deixa pedra sobre pedra da imagem de bom religioso do pastor.
Em um recém-instaurado inquérito, cujo número é 902-00048/2012 e que está em poder da Delegacia de Combate às Drogas do Rio, ele é acusado de encenações de cura pela fé, estupro, tortura de crianças e relações criminosas com os marginais aos quais esbravejava promessas de “salvação do demônio”. VEJA teve acesso a trechos da investigação, um conjunto de relatos de gente que diz ter sido vítima ou testemunha da perversidade do pastor. Um de seus homens de confiança durante mais de seis anos, longe da igreja há dois, traz à luz uma história escabrosa, que dá a dimensão de como o pastor se enfronhou no mundo do crime. Essa testemunha sustenta, por exemplo, que Marcos ficou claramente do lado dos bandidos que engendraram a mais sangrenta onda de terror no Rio, em 2006. Depois dos ataques, reuniu seu séquito mais íntimo em uma churrascaria. “Ele queria que os bandidos tivessem até explodido a Ponte Rio-Niterói. O objetivo era aparecer depois como o intermediário salvador”, conta o ex-fiel. A trama piora na voz de outra testemunha, que situa o pastor como braço operacional da selvageria. “Marcos foi ao presídio de bangu 1 e saiu de lá com um recado dos chefões do tráfico para que suas quadrilhas dessem sequência à carnificina”, rememora. Como sabe disso? “O pastor me encarregou de repassar a ordem nas favelas. E foi o que eu fiz.”
A polícia já colheu uma dezena de depoimentos, e muitas das histórias se repetem nos mínimos detalhes. A investigação começou há duas semanas, depois que o coordenador da ONG Afro- Reggae, José Junior, 43 anos, veio a público denunciar que o pastor tinha um plano para matá-lo. A informação vinha de integrantes da própria igreja. “Trata-se de um psicopata”, dispara Junior, que hoje tem a seu lado na ONG um antigo braço direito de Marcos, o pastor Rogério Ribeiro de Menezes, 39 anos. Afastado do templo de Marcos desde 2008, ele fala pela primeira vez sobre os dezessete anos que viveu sob suas asas. Tomou a decisão depois de ter sido ameaçado de morte três vezes — na última, os traficantes de uma favela esfregaram um fuzil contra seu rosto e pronunciaram o nome Marcos.
Seu depoimento ajuda a elucidar o que tanto unia o pastor aos traficantes que ele dizia “curar”, e certamente não era a fé. Não raro, Marcos lhe pedia que escondesse mochilas cheias de dinheiro em sua casa. Contou duas vezes a coleção de notas. “Numa delas, havia 200 000 reais. Na outra, 400 000 reais”, lembra Rogério. Detalhe: traziam resquícios de cocaína e crack. Segundo Rogério, o pastor cobrava até 20 000 reais para pregar nas favelas, o que os traficantes pagavam de bom grado, já que assim mantinham sua base assistencialista. Três deles chegaram a ser presos em propriedades da igreja do pastor, no Rio e no Paraná, mas a polícia nunca comprovou que estavam ali com a conivência do religioso. Todos pagaram uma taxa equivalente a 10% de tudo o que haviam acumulado no crime.
Em seu templo, o fundador é tão reverenciado quanto temido. Até hoje, manteve todos em silêncio à base de benesses e ameaças. Duas mulheres contam como a igreja se tornou um show de horrores no qual lhes cabia o papel de vítimas do pastor. Ambas dizem que foram violentadas sexualmente por ele diversas vezes. À polícia, uma das moças afirma ainda que Marcos obrigava as fiéis de sua preferência a manter relações sexuais com outros homens, em orgias das quais também participava. “Depois, mandava a gente confessar tudo com outro pastor, sem revelar nomes, é claro”, ela conta. Constam ainda do inquérito denúncias de crueldades contra crianças que o pastor mantinha sob sua guarda, em geral abandonadas pelos pais. Uma delas, de 7 anos, teria pago caro por testemunhar, casualmente, as peripécias sexuais do religioso. Ao se dar conta, o pastor agarrou-a pelos cabelos e lançou-lhe a cabeça no vaso sanitário, segundo um dos relatos à polícia.
Ex-garçom, o pastor Marcos é casado e tem dois filhos que já seguem seus passos no mundo da fé. Convertido em 1989, fundou sua igreja dois anos depois e constituiu ali um reinado de trevas. Proíbe refrigerante, rádio, televisão (apesar de ter um telão em seu gabinete) e remédios, já que a igreja se encarrega da cura (aos que pagarem uma taxa extra via boleto bancário, distribuído durante a pregação). Os cultos, que juntam até 15 000 pessoas, são barulhentos e teatrais — literalmente, segundo narra um ex-assessor do pastor, que ajudava a armar o show: “Ele dava dinheiro a viciados para comprarem droga, filmava a turma em degradação e depois levava para a igreja, como se os estivesse salvando”. Na última segunda- feira, um rapaz adentrou a Assembleia de Deus dos Últimos Dias de muletas, que usava desde um acidente que lhe machucara o fêmur. Depois das orações do pastor Marcos, caminhou em frente aos fiéis dizendo-se curado. Findo o culto, subiu na mesma moto que havia conduzido na viagem de ida à igreja e foi embora.


(Publicado na versão virtual de Veja em 10 de março de 2012)

sábado, 10 de março de 2012

Artigo antológico de Reinaldo Azevedo sobre o movimento dos ciclistas

Os pitorescos do selim. Ou: A revolução dos pelados reacionários

Mas que gente pitoresca!

Como sabem todos, a minha única intenção no primeiro texto sobre os bikers, que pretendia ser o último, era lhes informar que eles não tinham o direito de parar a Avenida Paulista, que aquela era uma ação fascitoide. Já tinha ouvido falar e contatei bem de perto que os bikers mobilizados, os talibikers e fascisbikers, se querem mesmo pensadores da cultura, da democracia, da economia, da ecologia e da política. Ah, deixem-me atrair mais um pouquinho de ódio: aposto que a maioria vota na Marina Silva e jura entender o que ela diz. O obscurantismo costuma ser totalizante! Dada a qualidade da argumentação, nota-se que eles aprenderam tudo aquilo alisando o selim - já que não brota uma maldita referência técnica, nada! O maior pensador que eles conseguiram mobilizar foi Gilberto Dimenstein, que apóia a “Pedalada pelada”. O jogo de sílabas mexe com os meus instintos concretistas mais primitivos, mas vou me conter. Volto. Que gente pitoresca!

Fiz um texto até bem-humorado (sim, os “bikers” se querem pensadores sérios e não aceitam ser questionados - ou eles prometem até mesmo matá-lo; se for mulher, a coisa pode ser… pior!) sobre o apoio que Dimenstein resolveu emprestar aos que pretendem desfilar pelados de bicicleta, e a zanga foi imensa. Eles se sentiram ofendidos!!! Ameaçar de morte, pode! Chamar de bestalhão é ofensa inaceitável, punível com a… morte! Entenderam a, por assim dizer, “cabeça” de um talibiker? Ainda não sei quem é o Mulá Omar deles… Eu escrevi “mulá”!!!

Segundo o jornalista, pedalar pelado “é um inteligente jeito de tirar a roupa para ajudar a cidade de São Paulo”. Eu acho que a única coisa inteligente que a gente pode fazer pelado, quando acompanhado, é nheco-nheco, ué. Não posso achar? Ficar pelado por São Paulo? Qual é o lema? “Meu traseiro em benefício da cidade”? Sim, manguei, sim, e umas doidas aí me acusaram de machismo. Escrevi: “As pessoas que realmente valem a pena não ficam peladas, e as que ficam não valem a pena…” Ué… Machismo por quê? As mulheres e os gays devem achar o mesmo sobre os homens. Deixem-me arrumar mais uma confusão - até parece que me importo… Isso é como praia de nudismo. Ou junta gente disposta a demonstrar que não está nem aí “para os padrões burgueses de beleza” ou os tarados. Em qualquer caso… “Só gente bonita pode agora ficar pelada?” Eu não afirmei nada disso. Feios e bonitos podem ficar nus à vontade nos ambientes adequados. Se mostram a bunda na rua, facultam o direito de o outro comentar: “Mas que coisa deprimente!” Ou uma bunda feia deixa de ser uma bunda feia porque preocupada com o aquecimento do planeta?  “Então esse é seu critério, Reinaldo Azevedo?”

Ah, chegamos ao ponto. Querem falar a sério? Até os “bikers” merecem isso de vez em quando, e eu não me importo de lhes oferecer uma tábua de salvação para o mundo da cultura e da civilização. Nada é mais privado do que o corpo. O estatuto mais importante das democracias é justamente o “habeas corpus” - literalmente, “tenha o teu corpo”. O nosso primeiro e fundamental direito é a posse daquilo que entendemos ser a morada inteira do nosso espírito. Se desloco um protesto de natureza política, uma reivindicação de caráter coletivo, uma petição ao estado, para o meu corpo, fazendo dele o veículo dessa demanda, eu o exponho a uma politização perigosa, facultando ao outro - e toda mobilização se estabelece contra um dado statu quo - uma reação de que esse corpo pode ser obeto e alvo.

Ao contrário do que afirma Gilberto Dimenstein e do que possam pensar os eventuais pelados que desfilarem pelas ruas, tirar a roupa “por São Paulo” é uma péssima maneira de ficar nu porque nada exprime mais a individualidade, exacerbando-a (quando voluntária) ou humilhando-a (quando imposta), do que a nudez. A manifestação, diga-se, se acontecer, expõe mais do que qualquer outra atitude, a natureza da reivindicação e o caráter dos reivindicantes. Em nome de uma coletividade abstrata; eventualmente tocados por teorias escatológicas, finalistas, despregam-se dos homens comuns, daqueles que ficam às margens das ruas, nas calçadas, assistindo ao desfile, com ar entre irônico e incrédulo. São o que são: individualistas radicais (nada tem a ver com o individualismo dos liberais) que acreditam que a sociedade - da qual, no fundo, julgam não fazer parte - lhes é devedora.

Há mais: ao desfilar pelados, julgam também estar desafiando um padrão moral, ao qual estariam apegados, sei lá, os tradicionalistas, grupo aos quais eles julgam, obviamente, não pertencer - daí que se considerem também inimigos dos carros, que seria outra expressão do convencionalismo, de uma sociedade de valores ultrapassados. Gente como Dimenstein - que, afinal, é da “mídia” - lhe dá a ilusão de que esses postulados têm alguma substância e profundidade.

Imaginem o susto que essas pessoas podem levar se for estudar um pouco… Talvez um dia descubram - e não precisam parar de pedalar para isso; basta que não transformem esse ato num exercício intelectual - que as famosas “interdições” que o cristianismo criou relativas ao corpo foram, na sua origem, uma garantia de liberdade. Passaram por derivações, vamos dizer, moralmente teratológicas ao longo do tempo? Sim! Ocorre que, assim como o cristianismo foi o primeiro pensamento organizado de massa que protegeu a vida das mulheres ao criar a interdição do aborto, também foi o primeiro a proteger a integridade física dos fracos contra a vontade dos fortes. A sacralização do corpo protegia quem podia menos de quem podia mais. Não por acaso, sempre que esse equilíbrio se rompe - nas guerras, por exemplo -, o primeiro gesto do vencedor contra o vencido é o estupro - ou variações reduzidas da humilhação sexual máxima.

O que eu estou dizendo, seus bobalhões, se é para falar a sério, é que esse negócio de tirar a roupa para apresentar uma demanda ao estado nos remete, à diferença dos que vocês possam imaginar, para tempos que nenhum de nós gostaria de viver. O resguardo do corpo foi um fator essencial no avanço da civilização. Foi, sim, um ato de repressão: de repressão do violador contumaz. Ficar pelado para pedir uma ciclovia não é só contraproducente. É também estúpido e incivilizado - coerente, de toda sorte, com quem acha que tem o direito de paralisar a cidade e de demonizar pessoas nas redes sociais só porque não gostou de uma opinião.

Vão estudar! Há coisas que não se aprendem no selim, ainda que andar de bicicleta possa ser um exercício saudável para o corpo.

Por Reinaldo Azevedo

domingo, 5 de junho de 2011

Hanseníase: uma doença sem o glamour da Aids

Excelente reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, muito rara na imprensa, mostra o drama de pacientes de hanseníase e seus descendentes, sempre esquecidos pelo Estado brasileiro, uma vez que a hanseníase não tem o charme da Aids – uma doença que acomete a elite intelectual e econômica  e ainda se tornou bandeira política do movimento gay.

A vida dos órfãos que perderam os pais ainda vivos

Filhos sadios de portadores de hanseníase, 10 mil crianças que foram separadas dos pais após o nascimento buscam direito a indenização

Fernanda Bassete

Eles são cerca de 40 mil brasileiros, têm por volta de 50 anos, estão espalhados pelo País e unidos pela mesma dor: são filhos de pessoas que tiveram hanseníase – doença que antigamente recebia o nome de lepra – e foram privados do convívio com os pais ao nascimento.

Esses "órfãos de pais vivos" eram enviados para educandários ou preventórios em cestas chamadas "ninhada de leprosos". Lá cresceram e a maioria nunca conheceu a família biológica. Hoje, lutam por uma indenização do Estado, assim como já ocorre com quem teve a doença e também foi afastado do convívio social. O governo reconheceu que a política de isolamento foi um erro e, desde 2007, paga a essas pessoas uma pensão vitalícia de R$ 750.

O isolamento começou no início da década de 1920, quando a lepra era uma doença endêmica no Brasil. Era contagiosa, mutiladora e incurável. Com o avanço da contaminação, a solução foi isolar os doentes em hospitais ou asilos chamados de leprosários.

"Em 1923, por meio de um decreto, o governo instituiu o isolamento. Foi uma política muito severa e cruel", diz Sueli de Paula Dias, chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência – que vai coordenar o grupo de trabalho que vai tratar da indenização.

No Estado de São Paulo, a internação em massa ocorreu na década de 1930. "Até então, não havia espaço para receber todo mundo. O governo construiu mais quatro asilos e um sanatório", diz a historiadora Yara Nogueira Monteiro, autora de um doutorado sobre o tema.

Com a segregação dos doentes, surgiu outro problema: o que fazer com os seus filhos, que nasciam saudáveis nos hospitais de isolamento?

"As crianças eram enviadas para educandários, onde seriam criadas ou entregues para adoção irregulares, sem que seus pais soubessem ou autorizassem", conta Yara.

Por mais que o isolamento hoje seja visto como cruel, à época foi apoiado pela sociedade, que não reagiu à determinação do governo. "A sociedade não só aceitou como colaborou com isso. As crianças nasceram estigmatizadas, ninguém as queria", diz Yara.

A maioria dos pais perdeu totalmente o vínculo com os filhos. A possibilidade de visita existia, mas elas eram raras – só eram possíveis se o hospital e o educandário autorizassem.

"As mães mandavam cartas para os abrigos em busca de informações ou fotos dos filhos, mas as cartas nunca foram entregues nem respondidas. Muitas nem saíam dos prontuários das mães", conta Yara.

Na década de 1940, foi descoberto o tratamento da doença. O isolamento passou a perder a força em vários países, mas continuou forte no Brasil, onde só terminou quase três décadas depois, em 1967.

Nomenclatura. Até 1970, a doença era conhecida no Brasil como lepra. A partir dessa década, houve uma mudança na nomenclatura para tentar reduzir o estigma da doença. Assim, ela passou a ser denominada hanseníase.

Para Yara, esses 40 mil filhos de pessoas com hanseníase têm razão em buscar uma indenização. "Roubaram a infância e a vida deles", diz.

Segundo Sueli, a minuta de decreto para formar o grupo de trabalho já está escrita e agora tramita entre os ministérios envolvidos na questão da indenização. A expectativa é ter uma resposta definitiva em um ano e meio. Não se sabe ainda se a indenização será paga em uma única parcela ou em forma de pensão mensal.

"A política foi desastrosa, essas pessoas sofreram abusos e maus-tratos. Não é apenas uma questão de reparação, é uma questão histórica. Sem dúvida há uma dívida do Estado com essas pessoas", diz Sueli.

Para entender

Há registros desde 1350

Chamada de "a doença mais antiga do mundo", os primeiros registros de hanseníase são de 1350. A moléstia, que ficou conhecida como lepra, causa lesões na pele e compromete os nervos periféricos.

Na idade média, os "leprosos" não podiam entrar em igrejas ou casas e nem mexer objetos sem luva. Também usavam roupa especial e tocavam sinetas para anunciar sua presença.

Na década de 1940 foi introduzido um medicamento eficaz para a hanseníase. Mesmo assim, no Brasil, entre as décadas de 1930 e 1970, crianças foram tiradas de seus pais com aval do Estado. Só em 1962 um decreto-lei estabeleceu o fim do isolamento dos pacientes e, em 1976, foi extinta a obrigatoriedade da internação em leprosários e o afastamento dos filhos.

Hoje, a cura é simples e gratuita nos postos de saúde. A primeira dose do medicamento mata 90% dos bacilos e a doença deixa de ser transmitida.

Não vou desistir da luta por indenização

Depoimento

Maria Teresa Oliveira, responsável pelo movimento dos filhos

"Estou com 55 anos. Durante toda minha vida suspeitei de que havia sido adotada, mas nunca ninguém tocou nesse assunto. Cresci numa família maravilhosa, estudei nos melhores colégios, fiz três faculdades.

Fui saber que era adotada mais de seis anos depois que meus pais adotivos morreram. Meu irmão, que era filho biológico deles, veio me contar e me entregou um recorte de jornal.

Era uma matéria publicada no Estado sobre o preconceito sofrido pelas pessoas com hanseníase. Tenho o recorte do jornal guardado comigo até hoje.

Soube, de repente, que fui arrancada dos meus pais ainda bebê porque uma lei federal determinava que isso fosse feito. Tive de engolir a notícia com caroço e tudo. Na minha idade, não podia nem me revoltar.

Meu irmão contou que meu nome de nascimento era Maura Regina e minha mãe adotiva havia me registrado como Teresa porque era devota de Santa Terezinha. Era a única coisa que eu tinha para procurar informações sobre minha origem.

Busca. Fui ao hospital-colônia Santo Ângelo, local em que minha mãe havia sido internada, e encontrei minha certidão de nascimento.

Dentro do prontuário dela havia duas fotos. Bati os olhos e tive certeza absoluta de que ela era minha mãe biológica.

Tirei cópias dos documentos e fui para o Educandário Santa Terezinha, em Carapicuíba, para onde tinham me levado ainda bebê. Lá eu soube que fui entregue para adoção quando tinha 4 meses de idade.

Também descobri que eu tinha mais duas irmãs biológicas. No meu prontuário, encontrei cartas que minha mãe escrevia para as freiras, pedindo notícias da filha com quem ela nunca conviveu.

Não sei nem explicar o que eu senti ao ler aquelas cartas que nunca foram entregues...

Diante disso, percebi que aquele problema não era exclusivamente meu, mas de inúmeras crianças que também haviam sido arrancadas do convívio dos seus pais.

Foi daí que eu tirei forças para buscar essas crianças pelo Brasil e resgatar suas histórias. Pedi demissão do meu emprego, procurei o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morham) e iniciei a minha luta.

Hoje, o cadastro de filhos de pessoas com hanseníase já possui cerca de 10 mil nomes, mas a gente estima que existam pelo menos 40 mil filhos espalhados pelo País.

Dedicação. Nesse tempo todo, eu me desliguei da minha história pessoal e passei a me dedicar aos filhos. Meu objetivo de vida é conseguir uma indenização do governo para esses filhos, assim como existe indenização para os pais.

Eu não vou passar esse Natal sem receber uma resposta sobre isso. Eu não vou desistir dessa luta. Se eu desistir, outras 40 mil pessoas vão se esborrachar no chão comigo."

''Passei minha infância sofrendo maus tratos''

Depoimento

Milton Jorge, fiscal de farmácia

"Minha história começou no dia 4 de dezembro de 1957. Até eu completar 8 anos de idade, o tempo passou sem eu ter noção de que existia um mundo fora das paredes do educandário.

Comecei a frequentar a escola e percebi que os pais dos alunos iam buscá-los. Passei a me perguntar por que eu era diferente.

Perguntei sobre minha mãe para a irmã responsável pelo abrigo. A resposta dela foi cruel. "Você está aqui porque sua mãe é uma vagabunda."

Foi um choque. Certa vez, quando tinha uns 11 anos, tive o direito de ir visitar minha mãe. Eram encontros que o educandário organizava algumas vezes por ano.

Contei para minha mãe o que a freira havia dito. Chorando, ela me abraçou, disse que tinha uma doença e, por isso, não poderia cuidar de mim.

Vida cruel. A vida no educandário continuou cruel. Quando a gente fazia xixi na cama, por exemplo, éramos obrigados a ir até o pátio e carregar o colchão nas costas até secar. Como castigo, não podíamos tomar banho.

Havia um monitor muito severo, o Edmilson, que sempre batia nas crianças. Quantos cabos de vassoura foram quebrados nos pés e nas costas das crianças... Lembro de uma vez que serviram carne moída no almoço. Não suporto carne moída. Fui obrigado a comer. Passei mal, vomitei. Bravo, ele pegou minha cabeça e esfregou no meu vômito.

Em outra situação, ele quebrou um cabo de vassoura no meu punho. Uma outra vez ele me obrigou a sentar em uma cadeira no meio do pátio e mandou uns 50 meninos fazerem fila para bater em minhas mãos com a palmatória. Eu só pensava em fugir daquele lugar.

Foram tantas cenas horrorosas que é impossível apagar da memória. Minha mãe morreu quando eu tinha uns 14 anos. As irmãs não me deixaram vê-la nos seus últimos dias de vida.

Vida nova. Saí do educandário com 16 anos – um padrinho de casamento da minha mãe foi me buscar. Morei com ele por dois meses, depois eu fui viver a minha vida.

Eu me casei, tive quatro filhos lindos. E olha como é o destino... Fui à feira com minha mulher e meus filhos e dei de cara com o Edmilson. Aquele que me torturava no educandário. Lembrei dele na hora, mas ele não se lembrou de mim.

Eu disse a ele: "Eu sou o Milton, aquele menino do educandário que você colocou numa cadeira no meio do pátio para apanhar de palmatória." Ele ficou complemente atordoado, mas não se desculpou. Simplesmente não falou nada.

Minha mulher morreu de pneumonia quando nossa filha mais nova estava com 1 ano e meio. Pensei: "Como vou criar quatro crianças sozinho?" Fui à luta e criei meus filhos juntando papelão e latinha. Hoje o mais velho está casado, a segunda se casa neste mês. Os mais novos ainda vivem comigo. Fui apelidado de Pai Herói."

Depoimento

Lázara de Fátima Inácio, comerciante

“Fui para o Educandário Santa Terezinha um dia após nascer. Ali, cresci com dezenas de crianças, sem me dar conta do que era ter pai e mãe. Um dia me disseram que eu conheceria meu pai. Fiquei eufórica, mas a alegria não durou. Ele morreu uma semana antes da data do encontro. Engoli a tristeza e continuei vivendo os problemas do educandário. As crianças apanhavam, eram humilhadas, sofriam. O banho era frio, sem privacidade, com sabão de coco. Quando fiz 10 anos, fui adotada. Achei que teria uma vida legal, mas não tive. Estudava em escola diferente, dormia em quarto separado, era obrigada a fazer os serviços da casa. Fui devolvida após seis meses. Em menos de 20 dias, mandaram-me para outra família. Foi pior. Meu quarto era do lado de fora, ao lado do galinheiro. Só podia entrar na casa uma vez por semana, para tomar banho. Vivi ali por quase três anos e fui devolvida. Me mandaram para outra família. De novo meu quarto era do lado de fora. De novo não me deixaram estudar. Eu cuidava dos outros filhos do casal e limpava a casa. Fugi. Foram ao menos sete adoções e devoluções. Nenhuma família queria me criar de verdade. Queriam que eu fosse a empregada. Voltei para o educandário, onde morei até os 18. Saí, arrumei um emprego, fiz faculdade. Hoje tenho meu apartamento quitado e meu negócio próprio. Eu venci.”

(Matéria do jornal o Estado de S. Paulo, domingo, 5 de Junho de 2011)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O crime compensa nesta República de Bandidos

Os bancos tornaram-se cúmplices dos ladrões; e o Banco Central virou cúmplice dos bancos. Só o cidadão paga o pato, sendo tratado como criminoso.

Matéria do jornal O Estado de S. Paulo

Dinheiro manchado deixa de ter valor

Tingidas durante explosões de caixas eletrônicos, as cerca de 75 mil notas rosas em circulação serão tratadas como cédulas falsas

02 de junho de 2011 | 4h 36 - Estado de S. Paulo - Fabio Graner / BRASÍLIA

Quem receber uma das 75 mil notas de reais manchadas pelo dispositivo antifurto de caixas eletrônicos terá de arcar com o prejuízo. O Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central (BC) passaram a dar a elas tratamento semelhante ao das notas falsas, ou seja, tornando-as sem valor. A ideia é desestimular roubos a caixas eletrônicos.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (Fecomércio) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também orientaram empresários e lojistas a não aceitar dinheiro manchado. E recomendaram que a polícia seja procurada diante de qualquer tentativa de pagamento.

O diretor de Administração do Banco Central, Altamir Lopes, explicou ontem que a recomendação para os cidadãos é a de não aceitar notas rosas, para que não tenham prejuízo. "Elas deverão ser apresentadas ao banco para que o BC proceda à análise da cédula."

Após a comprovação de que o dano na cédula foi provocado por dispositivo antifurto, a instituição deverá comunicar ao antigo portador que ela foi fruto de crime e se encontra à disposição das autoridades policiais para investigação.

Os dados de quem apresentou a cédula também serão informados à polícia. Ou seja, é preciso atenção redobrada dos cidadãos.

Acidentes. Apesar de as regras divulgadas ontem serem mais rígidas, o BC estabeleceu algumas exceções para substituir notas manchadas por dispositivos antifurto. Segundo Altamir, a autoridade monetária vai ressarcir os bancos em caso de acidente ou de furto frustrado.

Mas ele explicou que isso ocorrerá com o desconto dos custos de produção e análise das cédulas rosas. O valor desses custos ainda será fixado pelo BC.

No dia 18 de maio, o Banco Central divulgou comunicado à imprensa informando que os cidadãos que recebessem notas marcadas deveriam apresentá-las em bancos e, se fossem legítimas, haveria ressarcimento. Agora, a regulação é mais rígida. Questionado sobre a mudança, Altamir se limitou a dizer que ocorreu porque nas discussões posteriores se entendeu que o melhor seria trabalhar com as regras publicadas ontem.

Circulação. O diretor do BC estima que existam cerca de 75 mil cédulas manchadas pelo dispositivo antifurto ainda em circulação no País. Segundo ele, os valores das cédulas atingidas são diferenciados. O cálculo levou em conta uma taxa de "sucesso" de 50% nas tentativas de roubo em caixas automáticos com o dispositivo.

PERGUNTAS & RESPOSTAS

1. Como identificar e o que fazer com nota manchada?

O ideal é sempre recusar. A mancha é caracterizada pela cor rosa e por ser densa e não uniforme.

2. E se receber cédula rosa?

Apresente a nota ao banco, que deverá fazer o registro com CPF, documento de identificação com foto e endereço de quem apresentou a nota. Se após a análise do BC for verificado que a nota está marcada por dispositivo antifurto, não haverá ressarcimento. Se for outro tipo de mancha, haverá.

3. E se a nota tiver sido sacada em caixa eletrônico?

Fora do expediente bancário, o cidadão deve retirar um extrato da conta (comprovando o saque), fazer um BO e depois apresentar as notas e o BO ao banco para que tenha a chance de ser ressarcido, após a análise da cédula. Durante o expediente,

Adolescente é agredida, perde um rim e morre

"Por causa das agressões, a vítima perdeu um rim e parte do intestino. O agressor chegou a dar um banho na jovem para conseguir retomar a violência."

O caso aconteceu em Belo Horizonte e foi noticiado pelo jornal O Globo, como se pode ler na reprodução da notícia abaixo. E, mesmo diante de barbáries como essa, que se repetem à exaustão, aquele pessoal do Núcleo de Estudos de Violência da USP continua achando que barbárie é defender a pena de morte.

Não se deve esquercer como será a prisão que espera um monstro desses, caso seja capturado: psicólogos; dentistas; professores; assistentes sociais; auxílio-reclusão; visitas íntimas; seis saídas anuais, inclusive no Dia dos Pais e Dia da Páscoa; sem contar o semi-aberto que o espera após cumprir apenas um sexto da pena. E, claro, o pessoal dos direitos humanos, começando pelo Conselho Nacional de Justiça, sempre preocupado com a unha encravada dos presos. E, se depender da ministra Ellen Gracie, do Supremo, caso o monstro disponha de um bom advogado, pode até pedir habeas-corpus nesse momento em que está foragido, evitando, com isso, ser preso.

Eu não tenho a menor dúvida: Justiça não é educação nem recuperação de bandido. A verdadeira Justiça é -- e tem de ser -- vingança, sim. Um crime desses clama aos céus. Se o elemento que comete tamanha barbaridade não têm a dignidade de se suicidar em seguida, isso significa que ele não sente o mínimo remorso pelo que fez e precisa ser eliminado.

Pena de morte é sinônimo de civilização. Quando uma sociedade, a pretexto de parecer civilizada, abdica de vingar a morte dos inocentes e ainda por cima se condói de seu algoz, ela já se tornou bárbara e não sabe.

Vejam a notícia:

Casa de acusado de torturar adolescente até a morte é incendiada em Minas Gerais


Belo Horizonte - A casa do acusado de torturar a companheira adolescente de 17 anos ficou destruída após ser incendiada em Patos de Minas, em Minas Gerais. O fato aconteceu nesta terça-feira, mesmo dia em que a menor morreu. Ela foi torturada por 12 horas, no fim de semana, chegou a ser submetida a cirurgias e foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu aos ferimentos. O acusado continua foragido.


Por causa das agressões, a vítima perdeu um rim e parte do intestino. Segundo a polícia, as agressões começaram na madrugada de sábado. Na tarde do mesmo dia, o agressor, identificado como Márcio Silvio Pereira, de 26 anos, chegou a dar um banho na jovem para conseguir retomar a violência.

- Quando ele percebeu que ela não conseguia se mexer, nem levantar, ele a trancou na residência - contou a tenente Raquel Bessa.

Quase 24 horas depois, a polícia e os bombeiros foram acionados. A polícia deve pedir prisão preventiva e o acusado deve responder por homicídio.

A mãe da jovem disse que ele ligou para a casa dela e a ameaçou.

- Quero justiça, ele está solto e está me ligando, me ameaçando - contou a mãe da adolescente.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/06/01/casa-de-acusado-de-torturar-adolescente-ate-morte-incendiada-em-minas-gerais-924583098.asp#ixzz1O5heylhs
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domingo, 28 de novembro de 2010

É chegada a hora de mudar a “Constituição Bandida”

O sacrifício dos inocentes só pode ter alguma justificativa se for acompanhado pelo sacrifício dos criminosos. Mas um sacrifício legal — com prisão perpétua ou pena de morte — e não esse sacrifício clandestino ou acidental que existe hoje.

Ulysses Guimarães chamava a Constituição de 88 de “Constituição Cidadã”. Eu chamo de “Constituição Bandida”. No país dos 50 mil homicídios anuais, ela proíbe taxativamente a pena de morte e a prisão perpétua, transformando o Brasil numa República de Bandidos, em que o crime, de fato, compensa. É com base nessa Constituição que o Supremo solta criminosos seriais e outros monstros do gênero, como os bandidos que puseram fogo em Tim Lopes no Rio e, agora, estão tendo de ser caçados com o sacrifício de inocentes crianças, tratadas como entulho humano no caminho de policiais e bandidos.
Praticamente todos os bandidos que estão sendo caçados agora nessa guerra já tiveram reiteradas passagens pela polícia. O que significa que não temos cadeias, mas peneiras institucionais. E elas vão continuar sendo peneiras, pois não existe a menor chance de se mudar a legislação penal. A própria Constituição, nas cláusulas pétreas, é leniente com o criminoso, ao descartar a possibilidade da prisão perpétua (não digo nem pena de morte). E a Justiça, por mais que fique falando em regime diferenciado para os chefões que serão presos neste Iraque tropical, só vai mantê-los na cadeia até passarem a Copa e as Olimpíadas. O que, convenhamos, é pouquíssimo tempo.
Se a oposição no Brasil fosse formada por gente séria e não por covardes e bestalhões como Serra, Fernando Henrique e os Maias, era hora de se propor mudanças na Constituição. Não para fazer a reforma política, como quer o governo petista, mas para promover a imprescindível reforma moral do país — que deveria começar com a oposição mostrando a histórica cumplicidade da esquerda com o banditismo que levou a segurança pública do país à falência. O sacrifício dos inocentes só pode ter alguma justificativa se ele for seguido pelo sacrifício dos criminosos. Mas um sacrifício legal (com prisão perpétua ou pena de morte) e não esse sacrifício clandestino ou acidental que existe hoje. A elite covarde é quem gosta de pena de morte clandestina para poder continuar exibindo seu bom-mocismo.
Como nada disso vai ocorrer, o sangue inocente está sendo derramado em vão. Estou certo que vai se repetir no Rio o que aconteceu naquele famoso seqüestro da menina Eloá em Santo André: a polícia age não para garantir a vida da vítima, mas a do bandido. E ainda se orgulha quando consegue isso. Quando o AfroReggae entregar ilesos seus parceiros do tráfico, e eles perfilarem altivos para as câmeras a caminho dos motéis-presídios, o Beltrame ficará orgulhoso e, por sobre os cadáveres dos inocentes, haverá de bradar: “Este é o nosso projeto para o Rio de Janeiro!”

Governo mata inocente para buscar bandido que ele mesmo soltou

O Estado tucano-petista (incluindo a Justiça) que obriga crianças pobres a engolirem criminosos em seu meio, sob o pretexto da inclusão, de repente contradiz tudo o que praticou durante décadas e invade as casas de família atirando e matando inocentes.

Durante o processo eleitoral, os manos Lula e Sérgio Cabral venderam a utopia de que as tais UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) tinham “pacificado” o Rio de Janeiro. Até José Serra acreditou e, como sempre, não soube fazer oposição, deixando de desmascarar essa política de segurança pública do governo Lula, que é tão criminosa quanto os próprios bandidos.
O conceito de “pacificação” em referência ao crime mostra que o Estado constituído está reconhecendo o Estado paralelo. É sinal de que o bandido não está sendo devidamente tratado como um fora-da-lei, mas como uma força beligerante legítima, com a qual se pode assinar tratados de paz. A UPP é o coroamento da histórica aliança entre esquerdas e bandidos que vem desde Lênin, quando ele estava na oposição ao czar.
E, por incrível que pareça, a origem do conceito de “segurança com cidadania”, diretriz do Pronasci e das UPPs, tem origem nas escolas. Sim. Na educação. O que é um absurdo. O Núcleo de Estudos da Violência da USP, liderado pelos sociólogos Sérgio Adorno e Paulo Sérgio Pinheiro (que foi ministro de FHC), defende a tese de que é preciso “capacitar” o jovem para ser um “mediador de conflitos” nas escolas. E estamos falando de conflitos que chegam a envolver o uso de arma e a venda de drogas.
O operário coloca seu filho na escola pública, achando que o está preparando para uma vida melhor, no entanto, ele será “capacitado” pelo próprio Estado para conviver com bandido, como se fosse a coisa mais natural do mundo mediar conflito com traficantes, homicidas, ladrões etc. Tão natural que até adolescentes — como propõe a sociopatia travestida de ciência das universidades — são chamados a exercer essa função.
O governo Lula tomou emprestada essa idéia dos pedagogos socioconstrutivistas — que já vinha sendo aplicada na educação — e levou para as zonas do tráfico, criando as UPPs, versão adulta da mediação de conflitos nas escolas. Para essa gente, todo bandido, independente da gravidade de seu crime, é um “reeducando”.
Praticamente todas as crianças pobres em idade escolar — em todas as cidades brasileiras —  nasceram e cresceram nessa atmosfera. Nunca viram um outro mundo. O mundo que conhecem é esse, em que o crime foi naturalizado pelo próprio Estado. Agora, esse mesmo Estado que obrigou todas as crianças pobres a engolir criminosos em seu meio, a pretexto de incluí-los, de repente contradiz tudo o que pregou e praticou durante décadas e invade as casas de famílias atirando e matando.
O próprio Supremo Tribunal Federal não é autor de uma propaganda criminosa em que quer nos obrigar a receber em nossa casa, de braços abertos, todos os bandidos? O próprio Supremo não soltou antes do tempo todos os bandidos que queimaram Tim Lopes, para que eles tivessem uma nova chance em sua comunidade? Com que autoridade, então, o Estado entra na favela para buscar esse bandido altamente perigoso que ele mesmo soltou de modo irresponsável? Será que ninguém é capaz de perceber a tremenda injustiça que há nisso tudo? Para o bandido hediondo, reiteradas chances garantidas em lei; para o cidadão inocente, apenas a chance que o acaso lhe der sob o fogo cruzado.
E notem que, mesmo sob fogo cruzado, o bandido continua tendo muito mais prerrogativas do que o cidadão comum. Este é tratado como um trambolho pelos bandidos e pela polícia. Enquanto isso, o Estado não trata os bandidos como bandidos, mas como soldados de um Estado adversário. O que significa que eles terão as mesmas garantias que, nas guerras, têm os generais.
Façam uma pesquisa. Desde 1994, no governo Itamar Franco, quando ocorreu a primeira incursão do Exército nos morros cariocas, raramente um traficante de alta patente morre nesses confrontos. Se não me engano, não morreu nenhum. Quando os comandantes do tráfico percebem que vão perder a guerra, eles se entregam. Só morre na luta quem está na linha de frente: os menos graduados no crime, inclusive crianças.
Como não há pena de morte nem prisão perpétua e até a Lei dos Crimes Hediondos foi revogada, os comandantes dos morros não são tolos para morrer lutando. Quando os peixes miúdos da linha de frente são presos ou mortos, os chefões na retaguarda se entregam ilesos. Com as leis frouxas que temos, cadeia para eles não é prisão, mas quartel-general. É a trégua necessária para reconstituírem forças, protegidos pelo próprio Estado. Tanto isso é verdade, que o coordenador do AfroReggae, José Júnior, já foi chamado pelos traficantes do Complexo do Alemão para negociar com a polícia.
A leniência do Estado vai mudar com os que serão presos agora? De jeito nenhum. Gente como Lula, Gilmar Mendes, Sérgio Cabral e os intelectuais universitários jamais admite que se fale em pena de morte ou prisão perpétua para bandido, mesmo que esse bandido seja um monstro que queima pessoas e atira em perna de criança que se recusa a queimar carro. "Prisão perpétua é nazismo! Os bandidos também são humanos", gritam. Já os inocentes mortos, como a menina de 14 anos que tombou na guerra do morro, eles tratam como mera estatística.